O eleitor brasileiro, preocupado com a manutenção da democracia, segurança pública, saúde e educação, garantiu seus direitos pelo voto. Porém, quase nem percebeu que entre os dias 19 e 30 de outubro de 2026, ocorreu, na cidade de Yerevan, capital da Armênia, a Conferência das Partes – COP 17 sobre biodiversidade. O “Caminho de Yerevan”, documento resultante do encontro estruturou prioridades para os quatro anos restantes até 2030, “exigindo que as políticas de conservação governamentais passem por uma rápida aceleração, onde os orçamentos nacionais sejam formalmente alinhados às 23 metas”.
No Brasil, as atividades da COP 30 foram encerradas com uma última entrega oficial, que definiu encaminhamentos para a COP 31. A próxima conferência ocorrerá em Antalya, na Turquia, entre 9 e 20 de novembro. O principal foco do encontro será transformar os compromissos assumidos em conferências anteriores em ações concretas para implementar as metas do Acordo de Paris. Uma tarefa que não será nada fácil.
Esses importantes temas para a sobrevivência da humanidade seriam destaques em outros tempos, se o panorama mundial não estivesse passando por um turbilhão de emoções desde o negacionismo climático liderado por Trump, seus asseclas e suas aventuras bélicas, que inflacionaram as economias globais, tirando o foco e os orçamentos das mitigações climáticas.
Globalmente saímos de um cenário muito pessimista, – caso as eleições no Brasil consolidassem a hegemonia estadunidense sobre toda a América, para sonhar com uma reviravolta política em vários contrapesos mundiais.
Esse movimento pendular para a centro-esquerda sucedeu também com as eleições em Israel, na Sérvia, com estudantes impondo derrota história a Vučić, e com o descontentamento dos custos vida na Europa, levando estudantes às ruas da França, Itália, Portugal e Alemanha.
A vitória dos democratas nas eleições de meio termo nos Estados Unidos e as próximas eleições da Espanha, caso Pedro Sánches ganhe, aumentam as expectativas de melhorias para os temas ambientais.
Freios e contrapesos estão atuando para distender o que, na área ambiental todos temiam caso a extrema direita se consolidasse pelo planeta, negando a partir do acordo de Paris, a realidade das mudanças climáticas.
Porém, enquanto as guerras não se dissiparem, as agendas de sustentabilidade, não receberão os orçamentos necessários para conter o aumento da temperatura.
A tendência de um novo cenário mundial, traz uma esperança de que o cooperativismo global retornará em detrimento ao belicismo. A conferir até 2030!
Roberto Xavier de Lima – Diretor de Planejamento e Inovação da Neotrópica Sustentabilidade Ambiental, mestre em Conservação da Natureza, biólogo e escritor.