El Niño e Incêndios criminosos na Amazônia

 

 

Em meio a um turbilhão de emoções entre turnos de uma das mais importantes eleições do Brasil, saiu no início de outubro, dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (PRODES).

 

Segundo o último boletim, a taxa de desmatamento para o Cerrado manteve a tendência de redução com queda de 11,49%. Entretanto, na Amazônia Legal caiu para 3.335 km² no período entre agosto de 2025 a julho de 2026. Esse valor representa 41,8% a menos, em relação ao ciclo anterior (2024/2025), quando foram registrados 5.731 km².

 

Trata-se do menor valor já registrado para o bioma Amazônia desde o início do monitoramento em 1988, e o quinto ano consecutivo de queda no desmatamento, acumulando uma redução de 71,2% em quatro anos, (na comparação com o pico de 11.594 km² em 2022, quando o governante, descrente na ciência havia desmontado todo o aparato protetivo para a gestão das áreas protegidas. Agora, um candidato à presidência da mesma dinastia, repete os mesmos discursos de desmonte e flexibilização de leis ambientais, caso eleito.

 

Entretanto, o mais forte El Niño dos últimos tempos, – que é o fenômeno de aquecimento atípico das águas do pacífico equatorial, alheio aos resultados das urnas, castigará o território brasileiro de maneiras distintas entre uma gestão e outra.

 

Enquanto um candidato mitigará os problemas, utilizando-se de políticas existentes de restauração dos biomas, o outro, pretende desmontar todo o ganho cidadão de ter um “ambiente ecologicamente equilibrado” conforme garantido no Artigo 225 da Constituição Brasileira.

 

Devido ao El Niño, a Amazônia já enfrenta um dos períodos mais críticos de estiagem com aumento de mais de 190% nos focos de incêndio nos primeiros 17 dias de outubro, em comparação com o mesmo período do ano anterior no estado do Amazonas.

 

A cidade de Manaus, no dia 17 desse mês, por volta das 8h40, atingiu 404,3 microgramas por metro cúbico (µg/m³) de concentração de partículas finas, o equivalente a 80,9 vezes o recomendável pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de 5 µg/m³.

 

Esse aumento dos incêndios criminosos coincide com o período entre turnos das eleições. Neste ano, foram registrados 1892 focos ativos comparados aos 651 registrados no mesmo período do ano passado, sendo 1641, em áreas públicas.

 

Ainda em tempo de reflexão: Um novo relatório divulgado pela ONU do dia 21 de outubro, alerta que o aquecimento global ultrapassará a meta de 1,5°C do Acordo de Paris, podendo subir a temperatura do planeta até o fim do século até 2,8°C impactando a vida de nossos filhos e netos. Portanto, reflita antes de votar.

 

Roberto Xavier de Lima – Diretor de Planejamento e Inovação da Neotrópica Sustentabilidade Ambiental, mestre em Conservação da Natureza, biólogo e escritor.

 

 

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