O dia 27 de maio foi escolhido como o Dia Nacional da Mata Atlântica.
Nasci nesse bioma, entre araucárias dos planaltos paranaenses, florestas montanas, alto montanas, de planície, restingas e mangues, passei minhas primeiras quatro décadas de vida.
Quando universitário engajado nas questões ambientais, após ser um dos fundadores da Organização Não Governamental (Ong), Mater Natura em 1983, me filiei à S.O.S. Mata Atlântica em 1988, conforme mostra a velha e encardida carteirinha de membro permanente.
Por ser o primeiro bioma explorado pelos invasores portugueses foi o mais destruído, chegando a restar quase 9% de sua área. Recentemente, noticiou-se uma tendência histórica de desaceleração do desmatamento e forte potencial de regeneração natural. Segundo esses estudos, a área desmatada em florestas maduras caiu 40% em relação ao ano anterior, atingindo o menor patamar da série.
A Floresta Atlântica é considerada um dos hotspots de biodiversidade mundial muito ameaçado. Sua área original abriga hoje 145 milhões de pessoas, -equivalente a 72% de toda a população do Brasil, que exercem impacto profundo sobre os remanescentes.
O dia comemorativo marca a data em que o Padre José de Anchieta, em 1560, assinou a “Carta de São Vicente”, – documento histórico, considerado o primeiro registro oficial a descrever a rica biodiversidade da floresta tropical da costa do Brasil. A carta cita diversas árvores, com destaque para a presença do pau-brasil, animais como a onça-parda, pintada, antas e porcos-do-mato, uma abundância de peixes e grande variedade de aves coloridas.
Um exemplo atual de iniciativa exitosa no bioma, é a Grande Reserva da Mata Atlântica (GRMA), um mosaico de 2 milhões de hectares de vegetação nativa contínua com mais de 110 unidades de conservação distribuídas nos estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Nessa área, 60 prefeituras, iniciativa privada, comerciantes e Ongs, praticam o ecoturismo e selos de produtos locais impulsionando uma nova opção de bioeconomia com sustentabilidade.
O bioma é líder nacional em restauração ativa, respondendo pela grande maioria dos hectares em recuperação no Brasil. Apesar da alta taxa de regeneração, estudos apontam que parte dessas áreas secundárias ainda sofrem processos de conversão.
As novidades na recuperação da Mata Atlântica destacam o protagonismo das pequenas propriedades rurais na regeneração natural. Um ganho de escala na restauração é um tema sempre debatido em encontros sobre restauração de florestas nativas e o grande desafio para esse século não somente para a Mata Atlântica, bem como aos demais biomas brasileiros. Longa vida à Mata Atlântica!
Roberto Xavier de Lima – Diretor de Planejamento e Inovação da Neotrópica Sustentabilidade Ambiental, Mestre em Conservação da Natureza, Biólogo e Escritor