Conheci Thomaz Lovejoy e Frijof Kapra pessoalmente nos seus respectivos escritórios em Nova Iorque e São Francisco da Califórnia.
Lovejoy (1941–2021), biólogo e ambientalista estadunidense, foi pioneiro em pesquisas sobre fragmentação florestal, dedicando mais de 50 anos ao estudo e conservação da Amazônia, e um dos mais importantes defensores do meio ambiente mundial. Foi quem cunhou o termo “diversidade biológica” na década de 1980.
Kapra, nascido em 1939, é um físico, escritor e educador austríaco, reconhecido por abordar a interconexão entre a física moderna e a ecologia. Ele fez questão de ir do escritório até a casa dele, para me presentear com seu livro The Turning Point. Tanto a sua casa, como o seu carro, possui uma bandeira azul com a imagem do planeta Terra ao centro. Autor de sucessos como “O Tao da Física” e “A Teia da Vida”, Kapra defende uma visão holística para as crises, alertando para o ponto de não retorno dos sistemas globais.
Ambos compreendem o Planeta como um organismo vivo e complexo, assumindo a Teoria de Gaia, cunhada pelo cientista britânico James Lovelock (1919-2022), ainda na década de 1970.
Lovelock, propôs que a Terra funciona como um sistema autorregulado, comportando-se como um organismo vivo que mantém seu próprio clima e condições biogeoquímicas.
Recentemente, durante a missão Artemis II em abril de 2026, a astronauta Christina Koch tirou fotos icônicas da Terra pela janela da Orion. Ao ver a Terra de longe, percebeu que todos os seres humanos fazem parte da mesma tripulação, enfatizando a necessidade de cooperação e cuidado mútuo.
O que essas pessoas têm em comum? Concordam que somos partes de um todo.
O escritor Yuval Harari, autor de Sapiens, narra a saga da evolução humana, desde o surgimento na África até a criação do dinheiro e de Deus.
A evolução humana pode ser representada como uma árvore a crescer. Surge primeiramente de uma semente, que vai se ramificando em galhos, representando as seitas, impérios, territórios, divisas e ideologias. À medida que a árvore cresce vai se distanciando daquela raiz. Cada galho, passa a achar que é melhor que as folhas e flores do galho lateral. Rivalizando com diferenças, preconceitos e guerras.
Uma metáfora que nos alerta que sem unicidade (nutrientes e água na raiz dessa árvore imaginária), todo o resto não sobreviverá.
Lovejoy, Kapra, Lovelock, Koch, e Harari, comprovam aquilo que na parceria entre Raul Seixas e Paulo Coelho, no álbum Gita de 1974, já trazia como reflexão na faixa: As aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor.
“Buliram muito com o planeta. O planeta como um cachorro eu vejo. Se não guenta mais as pulgas, se livra delas num sacolejo”. Sábios pensadores.
Roberto Xavier de Lima – Diretor de Planejamento e Inovação da Neotrópica Sustentabilidade Ambiental, Mestre em Conservação da Natureza, Biólogo e Escritor.