O Mito e as Baratas 

 

Metade dos eleitores comporta-se como as baratas da paródia, que, cegamente, idolatram como mito, o inseticida.

 

Há uma única proposta de defesa da democracia em disputa na próxima eleição, mas corremos o risco de perdê-la se não conseguirmos dialogar com pessoas próximas e convencê-las a virar seus votos.

 

Essa cegueira é potencializada pelos algoritmos, sob a velha máxima: dividir para governar. Vivenciamos uma perigosa distopia: 19 senadores alinhados com 5 pessoas de um mesmo clã, elegeram-se com a intenção de desmontar, por dentro, direitos assegurados pela Constituição Federal de 1988. Podemos perder nossa Constituição Cidadã, que garantiu direitos fundamentais e cláusulas pétreas após mais de 21 anos de uma traumática ditadura.

 

Perderemos nossa soberania, diante a recentes declarações do candidato, de aproximação com países imperiais, que hoje se encontram à direita das direitas mundiais.

 

Perderemos a ciência, recordando que por negligência de políticas públicas em vacinas e acolhimento às famílias durante a pandemia, foram ceifadas 700 mil vítimas.

 

Enquanto cientistas alertam para os efeitos do El Niño sobre o clima brasileiro, na área ambiental, perderemos o ICMBio, o IBAMA e a FUNAI, instituições fundamentais à proteção de nossas áreas protegidas e da sociobiodiversidade.

 

Também podemos perder o Ministério do Meio Ambiente e retroceder quatro décadas de conquistas legais e institucionais, incluindo avanços no licenciamento ambiental. Soma-se a ameaça de autorização do fraturamento hidráulico, técnica associada a riscos de contaminação ambiental, utilizada na extração de petróleo e gás de formações rochosas profundas.

 

Perderemos o acesso público às praias, caso avance a PEC 03/2022, parada no Congresso, que trata dos terrenos de marinha e cuja tramitação deseja a privatização desses espaços.

 

Será dado “um tiro no pé”, se apostarmos em um candidato que defende o armamento como solução para a insegurança. Sabe-se, que essas armas legalizadas, abastecerão por inúmeras falhas de controle, o crime organizado.

 

Perderemos também a isonomia do STF, caso sejam eleitos 4 novos ministros.

 

Nesses poucos dias, precisamos virar votos e mostrar que uma frente democrática e progressista não se resume a um único partido, ou a uma liderança que não simpatizamos. Caso contrário, permaneceremos reféns da lógica cega da idolatria ao “Mito” inseticida.

 

A defesa de um Estado soberano e democrático de direito exige a união de diferentes espectros políticos, da esquerda à direita, e contra uma proposta nitidamente extrema, fora das regras das quatro linhas. Como gostava de dizer o patriarca do clã, preso por conspiração à pátria soberana.

 

Roberto Xavier de Lima – Diretor de Planejamento e Inovação da Neotrópica Sustentabilidade Ambiental, mestre em Conservação da Natureza, biólogo e escritor.

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