Os odiosos não acreditam na ciência; desdenham dos efeitos das mudanças climáticas; são traidores da pátria; tendem a ser misóginos; racistas; e xenófobos. Desejam destruir o Estado laico para impor a teologia de sua religião, em detrimento das demais.
Há um perigo real de retrocesso para o Brasil, caso uma frente progressista não consiga neutralizar esse avanço. Estamos chegando a um pleito que poderá definir os rumos da soberania nacional e o modelo de desenvolvimento que queremos para o país em meio a um ambiente de forte polarização.
Podemos escolher um caminho orientado pela conservação e pelo uso sustentável dos recursos naturais, ou o retorno a práticas predatórias, perda de nossa soberania e entrega de nossas riquezas.
Cientistas vêm alertando para os efeitos do El Niño sobre o clima brasileiro, com temperaturas acima da média e redução das chuvas para as Regiões Norte e Nordeste, com potencial agravamento do déficit hídrico e risco de incêndios, e excessos na Região Sul, causando inundações e desabamentos. Esse cenário afetará a cidades, indústria e o agronegócio, que precisarão incorporar boas práticas de adaptação climática e sustentabilidade para manter suas atividades produtivas. O “ponto de não retorno” do bioma Pantanal já a décadas se iniciou, com o sistema perdendo mais água do que repondo.
Na Amazônia, caso não se erradique o crime organizado que invade terras indígenas e unidades de conservação, que contamina rios e destrói a floresta para extrair ouro e madeira, e que utiliza a região como rota para o tráfico de drogas, o bioma também poderá se aproximar do “ponto de não retorno”, com severas repercussões ambientais, sociais e econômicas para o país. O avanço dessas atividades ilegais movimenta enormes quantidades de dinheiro e amplia a capacidade de corrupção e cooptação de agentes públicos, representando uma ameaça à soberania nacional e à conservação da biodiversidade.
Para evitar os piores cenários para o Brasil, é necessária uma visão estratégica de longo prazo, com planejamento, orçamento, e orgulho de ser brasileiro — e de querer que este país seja menos desigual, mais sustentável, sociobiodiverso e colaborativo. Devemos ficar atentos também à biografia dos vice-candidatos, pois já vivenciamos desastrosas experiências nesse sentido.
Precisamos avançar para além das propostas básicas — e muito importantes — de segurança pública, saúde, educação, economia e combate à corrupção. Devemos “estar atentos e fortes”, como disse certa vez Caetano Veloso, e, com a união das forças progressistas, derrotar nas urnas aqueles que representam esse projeto odioso.
Roberto Xavier de Lima – Diretor de Planejamento e Inovação da Neotrópica Sustentabilidade Ambiental, Mestre em Conservação da Natureza, Biólogo e Escritor.