Os pioneiros da Conservação da Natureza

 

Em um jantar entre amigos na semana passada conheci uma bióloga carioca, que foi estagiária da Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza (FBCN), sediada no Rio de Janeiro. Me recordo que fui visitar a FBCN na Rua Miranda Valverde, 103, no bairro de Botafogo no ano de 1984, em busca de inspiração e acervo para o Movimento Ecológico Mater Natura que recém tínhamos criado em Curitiba – PR. Fui recepcionado pelo Almirante Ibsen de Gusmão Câmara, sem muito saber à época, de sua tamanha importância para a Conservação da Natureza brasileira. Ele, por mais de quatro décadas, se dedicou à conservação da natureza, sendo fundamental na criação de nossas primeiras Unidades de Conservação marinhas, como a Reserva Biológica Atol das Rocas, em 1979, e os Parques Nacionais de Abrolhos (1983) e Fernando de Noronha, (1987). Me recordo que naquela visita, ganhei dele muitas edições do Boletim da FBCN, considerado uma das revistas científicas e ambientalistas fundamentais à época, para o debate ambiental brasileiro. Publicada entre 1966 e 1989, ajudou a colocar a FBCN em evidência, tanto no Brasil, quanto no intercâmbio internacional com ONGs, intelectuais e conservacionistas. Outro importante integrante dessa pioneira instituição ambientalista criada em 1958, foi o professor Paulo Nogueira Neto, de quem, eu já escrevi por aqui (#22). Para quem não o conhece, entre um vasto currículo, ele integrou a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento que elaborou, em 1987, o Relatório Brundtland. Esse documento foi o primeiro a debater sobre o conceito de desenvolvimento sustentável e a perda da biodiversidade na relação nem sempre harmônica, entre humanos e meio ambiente. Ao me recordar da FBCN, lembrei de minha amiga jornalista Teresa Urban (1946/2006), que publicou entre outras coisas, dois importantes registros para a história da Conservação da Natureza no Brasil: Saudades do Matão (1998) e Missão (quase) impossível (2001), que dialoga com os precursores da conservação brasileira como o Almirante Ibsen e Paulo Nogueira Neto, bem como Adelmar Faria Coimbra Filho, Alceu Magnanini, Maria Tereza Jorge Pádua e Wanderbilt Duarte de Barros. Acompanho muitos jovens produtores de conteúdo e influenciadores digitais da área ambiental, e recomendo uma imersão nesses dois livros para a compreensão sobre o amadurecimento do país em relação às conquistas na área da Conservação da Natureza.

Em tempos de um Congresso Nacional tão refratário aos avanços da qualidade de vida com sustentabilidade, e em ano de eleições, é importante ler para divulgar a experiência dessa geração precursora da defesa da biodiversidade brasileira.

Roberto Xavier de Lima – Diretor de Planejamento e Inovação da Neotrópica Sustentabilidade Ambiental, Mestre em Conservação da Natureza, Biólogo e Escritor

 

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