No dia 21 de abril, Brasília completou 66 anos. Em 11 de setembro de 2001, data emblemática para o mundo, – quando as torres gêmeas de Nova Iorque foram ao chão, eu percorria de carro os 1.440 km entre Curitiba e Brasília para iniciar uma nova etapa de vida. Já se passaram mais de 25 anos, e aqui permaneço.
Naquele momento, minha escala de trabalho também mudou. Saí, – depois de dez anos, de uma área de atuação de 314 mil ha na Área de Proteção Ambiental de Guaraqueçaba de Guaraqueçaba (PR), para trabalhar com planejamento territorial na Amazônia Legal, região que abrange mais de 60% do território nacional.
Fui bem acolhido, construí amizades, ampliei parcerias profissionais, trabalhando em quatro importantes projetos na área ambiental e morando em diferentes lugares até me fixar. Comprei um terreno, construí minha casa, tive um filho brasiliense, três “golden retrivers”, e com o tempo, passei a me identificar profundamente com a cidade que me adotou.
Brasília pulsa nas curvas de Oscar Niemeyer, registros de um país que se planeja desde 1892, quando se instituiu a Comissão Exploradora do Planalto Central. O Relatório Cruls, fruto dessa expedição, pode ser considerado um dos primeiros registros ambientais do Brasil. Vale a pena conhecê-lo.
Nos anos da Bossa Nova, um jovem presidente idealista decide edificar esse sonho, adotando o famoso bordão “50 anos em 5”, que representava seu plano de desenvolvimento acelerado para o Brasil, com foco em infraestrutura, industrialização e a construção da nova Capital. Mesmo diante de resistências, Juscelino Kubitschek, entregou ao país uma cidade que simboliza desenvolvimento e integração nacional.
Brasília é essa realização do sonho de séculos de um país que busca amadurecer com equidade e sustentabilidade. É necessário fortalecer uma visão de longo prazo, investir em uma matriz energética limpa e valorizar nossa sociobiodiversidade.
A cidade reflete esse potencial, embora ainda enfrente desafios comuns a qualquer grande centro. Sua arquitetura e seu urbanismo revelam uma geografia cosmopolita, mas também carregam o peso de um preconceito recorrente: o de ser confundida com práticas políticas que não a representam.
Brasília aguarda ansiosa o destino de seu futuro, irradiando a todo o país, a visão progressista que podemos ter enquanto nação, onde a sustentabilidade por séculos, planejamentos de longo prazo e novas políticas industriais com base na produção de natureza, garantam a todos, uma melhor qualidade de vida com sapiência para gerir nosso maior patrimônio: a sociobiodiversidade, nossas águas e o orgulho de sermos brasileiros.
Roberto Xavier de Lima
Diretor de Planejamento e Inovação da Neotrópica Sustentabilidade Ambiental, Mestre em Conservação da Natureza, Biólogo e Escritor.