Queimando Petróleo

 

 

O engajado ambientalista urbano, não consome canudos plásticos. A militante pelo clima separa o lixo orgânico do não orgânico. Na escola do bairro, professores conscientizam alunos a economizar energia e água. O morador idealista estabelece uma ecobarreira para conter os lixos industriais que descem pelo rio em seu vilarejo. Nas cooperativas de reciclagem, as latas de alumínio são uma fonte de renda. Todos bons exemplos de engajamento a uma proposta de manter o planeta habitável e sustentável.

Faz mais de cinco décadas que a comunidade em geral trabalha com noções de conservação da natureza, mitigação de danos e uso racional dos recursos.

Estamos mais cientes sobre as consequências das mudanças climáticas, do que nossos pais. Entretanto, tudo é questão de escala.

Enquanto incorporamos boas práticas em relação ao meio ambiente, para tentar reduzir as emissões de gases que aceleram o aquecimento global, a COP 30, passou sem muitos avanços.

Em nível mundial presenciamos o enfraquecimento das Nações Unidas como guardiã do direito internacional e do multilateralismo e um agente mitigador de conflitos entre as partes.

Assistimos os movimentos bélicos do Império do Ocidente, desrespeitando o convívio entre as partes. Venezuela, Canadá, Groenlândia, Cuba, Iraque e todos os demais países que já foram seus aliados estão preocupados com as ambições do atual mandante que retirou seu país de todos os tratados sobre o clima.

Ninguém se pergunta, mas quais serão os custos ambientais dessas aventuras bélicas? Quanto custará restabelecer o fornecimento de petróleo e seus derivados para todos os países do mundo? Quanto de carbono das queimas e explosões dessa quarta semana de conflito subiu aos céus? Quantas vidas inocentes e patrimônios da humanidade estão sendo destruídas por uma prepotência de que tudo é fácil e rápido na base da força. A velha lei da física de ação e reação é externalizada quando se inicia uma guerra. Por mais que a humanidade tenha avançado em outras matrizes energéticas, o conflito instalado soma-se aos já em curso.

Grandes campos de petróleo bombardeados estão queimando e voltarão a operar somente após anos de reconstrução. Estamos colocando mais carbono na atmosfera em um volume adensado que certamente trará consequências para o planeta. A Organização Meteorológica Mundial confirma os últimos onze anos, como sendo os mais quentes da história.

A humanidade desmerece o nome específico que tem. A palavra latina “sapiens– saber”, é contraditória para quem se automutila, ameaçando o futuro das próximas gerações em uma escala de insanidade na emissão de gases desses parques petrolíferos em chamas.

 

Roberto Xavier de Lima – Diretor de Planejamento e Inovação da Neotrópica Sustentabilidade Ambiental, Mestre em Conservação da Natureza, Biólogo e Escritor.

 

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