Desperdiçando o Decênio Decisivo

 

O livro de 2023: “O Decênio Decisivo – Propostas para uma Política de Sobrevivência”, de Luiz Marques, apresenta 1.164 citações científicas sobre as consequências das mudanças climáticas para a humanidade. O livro traz subsídios científicos que projetam para o final dessa década, as últimas oportunidades para mitigar o aumento da temperatura média do planeta para além de 1,5° C. Porém, no ano de 2024, a temperatura média global já havia ultrapassado pela primeira vez, o limite dos níveis pré-industriais.

Se os dados já eram alarmantes, jamais se imaginaria que piorariam com o protagonismo negacionista do país com maior poder bélico do planeta. Todos sabem que as primeiras ações daquela gestão foi romper com o multilateralismo, se retirando de importantes fóruns das Nações Unidas, com ênfase nas mudanças climáticas.

A humanidade, além de um caos provocado pelo desiquilíbrio climático, mergulha, sob a gestão do atual presidente estadunidense, na beligerância, com ruptura ao direito internacional, fragilização da soberania dos países e no desprestígio ao multilateralismo sobre as regras da ONU.

Com isso, os orçamentos reagentes nacionais se deslocam das políticas de cooperação capitaneadas pela ONU, no combate à fome, mitigação de impactos climáticos, redução de emissões de gazes de efeito estufa e restauração florestal, para um rearmamento internacional, desencadeando guerras e uma nova corrida armamentista.

Como o citado livro revela – e os cientistas alardam, o maior inimigo para a humanidade até o final dessa década será a mudança de temperatura, com o aumento dos níveis oceânicos, que desencadearão fenômenos climáticos extremos de seca ou temperaturas fora do contexto, trazendo perda de biodiversidade, fome e uma massiva migração populacional jamais vista.

A busca do Império do Ocidente por petróleo com desrespeito às soberanias nacionais, apresenta sinais de alerta, ao Brasil: é passado a hora de estabelecer políticas nacionais de transição de curto e médio prazo para fontes de energia menos dependentes da matriz fóssil.

A recém aprovada Política Nacional de Bioeconomia é uma proposta estratégica prioritária para retomada da Nova Indústria Brasileira. Por exemplo, uma produção nacional em larga escala de combustível sustentável de aviação, – produzido a partir da biomassa, seria capaz de reduzir as emissões em até 80% e tornar-nos mais independentes dos humores internacionais dos derivados do combustível fóssil.

Estamos desperdiçando nesse “Decênio Decisivo”, uma das últimas oportunidades para a humanidade habitar um planeta menos hostil. Enquanto isso, as guerras, além de horror estão aumentando ainda mais os gases nocivos.

 

Roberto Xavier de Lima – Diretor de Planejamento e Inovação da Neotrópica Sustentabilidade Ambiental, Mestre em Conservação da Natureza, Biólogo e Escritor.

 

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