Para se fazer ciência no Brasil, devido à dependência de recursos públicos, burocracia e à falta de prioridade do governo é necessário paciência. O país prefere que o agronegócio comprometa biomas, exportando água dos nossos mananciais em forma de grãos, em vez de investir em universidades e ciência estratégica para nosso desenvolvimento.
A ciência impulsiona avanços em diversos setores. Investir continuamente e de forma robusta em políticas de C&T, resulta em patentes e soluções inovadoras para campos como a bioeconomia, medicina, tecnologia aeroespacial e marítima, defesa, inteligência artificial entre outros.
Nos orgulhamos dos estudos da Dra. Tatiana Coelho de Sampaio da UFRJ e seu esforço quase quixotesco. Ela e sua equipe desenvolveram por quase 25 anos, pesquisas com a molécula polilaminina, que apresenta potencial para estimular a regeneração em casos graves de lesão medular. Resultados preliminares mostraram respostas positivas em seis pacientes. A pesquisa revolucionária poderia ter trazido ainda mais benefícios ao Brasil, mas cortes no orçamento ciência durante o Governo Temer (2015-2016) impediram o registro da patente internacional. A falta de recursos para manter a proteção tecnológica no exterior resultou em perdas trilionárias em direitos de patente global.
Damos mais atenção a temas triviais das redes sociais, do que notícias de avanços verdadeiramente inovadores. As fofocas do carnaval receberam mais destaque do que a importante conquista da ciência brasileira.
No fim, trata-se de prioridades e estratégias. Ao compararmos o Brasil dos anos 1970, – que registrou um crescimento anual de 10%, com Coreia do Sul, Índia e China, percebemos diferenças claras nas escolhas feitas. A Coreia do Sul, apostou fortemente em educação e ciência para acelerar seu desenvolvimento tecnológico e agregar valor à sua cadeia produtiva. A Índia, investiu em tecnologia da informação e inteligência artificial, sediando recentemente, o India AI Impact Summit, e consolidando-se como protagonista mundial nessa área, e a China, tornou-se uma potência global ao investir em infraestrutura e desenvolvimento. Atualmente, o PIB chinês supera o brasileiro quase nove vezes, embora em 1978 fosse 3,5 vezes menor. Isso leva à reflexão sobre as diferenças nas escolhas feitas pelos países em educação e ciência.
Nossos cientistas, com paciência e dedicação, merecem maior reconhecimento. O governo deveria adotar estratégias de longo prazo, como fizeram Coreia do Sul, Índia e China, – com recursos, ministros especializados, investimento em educação gratuita e integração das universidades em projetos de desenvolvimento, que viabilizem C&T.
Parabéns para a Dra. Tatiana Coelho de Sampaio e sua equipe. Viva a ciência brasileira com muita paz e paciência.
Roberto Xavier de Lima
Diretor de Planejamento e Inovação – Neotrópica Sustentabilidade Ambiental