Empatia Climática

 

Qual seria uma definição para empatia climática? Talvez a capacidade de se solidarizar com regiões e comunidades afetadas por crises climáticas, reconhecendo seus sofrimentos. Trata-se de uma conexão emocional que motiva a ação em prol de uma justiça ambiental.

Quando o chanceler alemão Friedrich Merz fez comentários depreciativos sobre Belém durante a COP30, reforçou um discurso eurocêntrico, ignorando os serviços ambientais primordiais que a floresta tropical preservada garante ao funcionamento do clima planetário. Em sua fala infeliz, demonstrou nenhuma empatia e tampouco, senso de diplomacia.

No Brasil, já são bem conhecidos, os benefícios que os “rios voadores” exercem sobre o clima e a economia de outras regiões brasileiras, que fazem do nosso agronegócio tão potente.

Porém, grande parte dos agricultores do Centro-Sul do país, desconhecem a origem desses benefícios. Essa falta de compreensão impede que percebam que a floresta em pé funciona como um grande “ar-condicionado” natural, cuja evapotranspiração garante umidade e chuva a outros biomas. O aumento do desmatamento na Amazônia está diretamente vinculado a redução de chuvas em outras regiões do Brasil.

Após a COP30, a visibilidade dada à região, deveria resultar em políticas públicas que fortaleçam a educação ambiental em todos os níveis, a conservação das áreas protegidas e o cumprimento do Código Florestal (Lei nº 12.651/2012), como essencial para manter a vegetação nativa em Áreas de Preservação Permanente, Reservas Legais e áreas de uso restrito em todos os biomas nacionais.

A empatia climática também deve ser solidária a regiões como Rio Bonito do Iguaçu (PR), destruída por um tornado. Porém, tudo é causa e efeito. Entre 1985 e 2015 o município foi o que mais desmatou a Mata Atlântica. Cerca de 24,9 mil hectares foram convertidos para expansão agropecuária e extração ilegal da floresta com araucária, perdendo 60% de sua vegetação.

Como sabemos, os eventos climáticos extremos se intensificam devido ao desmatamento e à alteração de ciclos naturais. Em um planeta interligado, qualquer mudança no regime hídrico causado pela supressão de florestas, reduz a oferta de água a outros biomas e potencializa fenômenos extremos.

Empatia climática significa cumprir as leis ambientais em cada propriedade para evitar tragédias como as vividas recentemente no Sul do Brasil. Em vez de ignorar os serviços ambientais, é preciso reconhecê-los como aliados das atividades econômicas, especialmente nas cidades e no agronegócio.

Adaptar-se aos eventos extremos exige cumprir a boa legislação ambiental brasileira, restaurando áreas degradadas em larga escala e mantendo o desmatamento zero em todos os biomas.

Roberto Xavier de Lima – Diretor de Planejamento e Inovação da Neotrópica Sustentabilidade Ambiental, Mestre em Conservação da Natureza, Biólogo e Escritor

 

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