Os Impérios

 

 

Quando era estudante, um professor de história me chamou a atenção para os ciclos de apogeu e queda das civilizações, e a sucessão de nações ocupando os nichos deixados pelos impérios em declínio.

Como exemplo citava, o auge do Império Romano ocorrido em 117 d.C., sob Trajano, quando se estendia pela Europa, norte da África e Oriente Médio, e que durante quase 500 anos foi dominante, subjugando territórios e povos. Mais tarde, na Península Ibérica, os muçulmanos permaneceram cerca de 700 anos até 1492, mesmo ano, em que os espanhóis se lançaram na conquista do Novo Mundo. Sequencialmente, os “novos romanos” e os anglo-saxões expandiram-se pelo Novo Mundo e pela África, invadindo, dominando e repartindo continentes até o início dos diversos conflitos entre os impérios europeus no século XIX e XX.

Após a Segunda Guerra Mundial, – encerrada com a destruição atômica de duas cidades japonesas, consolidou-se no ocidente um novo império, baseado em golpes, derrubadas de regimes, anexações, invasões, e instalação de bases militares. A denominada Guerra Fria dividira o mundo em dois gomos. E isso influenciou diretamente a ONU, que criada em 1945, surgiu para regular as relações entre países, mas seu funcionamento fora limitado pelo poder de veto dos vencedores da guerra no Conselho de Segurança. O mundo mudou, mas a ONU não conseguiu se reformar justamente pela resistência dos impérios. Após a queda do muro de Berlin em 1989, uma única potência se sobressaiu até a recente emergência da China no contraponto do cenário global.

Mesmo negando as mudanças climáticas, a atual administração do império ocidental – que se retirou recentemente de 66 organizações institucionais, sendo 31 vinculadas às ONU, incluindo a Convenção do Clima, demonstra interesse em ocupar à força o território estratégico de um aliado, que ao derreter o gelo, abrirá novas rotas para a exploração de petróleo e minerais raros.

Rasga tratados, impõe sobretaxas arbitrárias a antigos parceiros e, internamente, grupos paramilitares com viés fascistas perseguem imigrantes — base importante de sua economia. Externamente, o seu afastamento do multilateralismo provoca a erosão interna do próprio império. Seu mandatário comporta-se como um menino mimado, dono da bola, do campinho e das regras, abrindo precedentes perigosos que podem ser usados pela Rússia na invasão da Ucrânia, ou da China, sobre a província rebelde de Taiwan – ambas as potências, com poder de veto no Conselho de Segurança da ONU.

Lembro da frase atribuída a Albert Einstein: que não saberia como seria a Terceira Guerra Mundial, mas a quarta, “seria travada com paus e pedras”. Talvez seja melhor ouvi-lo e fortalecer o multilateralismo para enfrentar os desafios de um planeta em aquecimento, que seguirá girando com ou sem a humanidade.

 

Roberto Xavier de Lima

Diretor de Planejamento e Inovação – Neotrópica Sustentabilidade Ambiental

 

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