41 anos do MapBiomas

Estive no lançamento da Coleção 11 do MapBiomas, no Museu Nacional da República, em Brasília. Me chamou a atenção a presença de uma juventude tanto na exposição dos dados da nova coleção, como na plateia.

Recepcionado por Tasso Azevedo, fundador e coordenador-geral dessa exitosa rede colaborativa multi-institucional, os convidados da mesa de abertura comemoravam os 41 anos desse verdadeiro “softpower” brasileiro. Sua utilização na gestão territorial se expandiu para fora do Brasil, sendo exportado para o Congo, Índia, México e futuramente, China. Ao todo, 17 países já se utilizam dessa plataforma, e mais nove estão em fase de implementação.

Ana Toni, CEO da COP 30, ressaltou que o MapBiomas “virou a marca do movimento socioambiental brasileiro na área climática, e a data de lançamento coincidiu positivamente, com um ano de menor índice de desmatamento”.

O ministro João Paulo Capobianco resgatou o histórico dessa ferramenta a partir de seu primeiro mandato no Ministério do Meio Ambiente. Segundo ele, somente a partir de março de 2003, – com a realização de um seminário no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), é que se permitiu que os dados geoespaciais do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAM) fossem disponibilizados em meio digital para organizações públicas e privadas. A partir daí foi criado o Programa de Monitoramento do Desmatamento dos Biomas Brasileiros (PRODES) e surgiu o desafio para o Inpe criar um Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real, o DETER.

Em uma evolução constante, a autodefinição dessa plataforma melhorou significativamente. Utilizam-se desde 1995, os satélites Landsat 5, 6, 7, 8 e 9 com uma resolução espacial de 30m. Entretanto, a partir de 2017, os satélites Sentinel-2, diminuíram essa resolução para 10m.

Hoje, 40 organizações não governamentais integram o MapBiomas. A Coleção 11 traz alguns dados importantes para a reflexão: O Brasil em 2025, possuía 65% de sua área com vegetação nativa e 32% com agropecuária. Constatou-se nesse período redução da vegetação nativa para a agropecuária em 56%. Nesses 41 anos, as atividades agropecuárias saltaram de 17,7% para 32% do território. Ampliou-se de 46% dos municípios com agropecuária em 1985, para 59% em 2025, sendo que 744 dessas municipalidades deixaram de possuir vegetação nativa.

As áreas urbanas concentram 87,4% da população brasileira, correspondendo a 5% do território brasileiro em 2025. A vegetação interurbana diminuiu 36% e a ocupação em áreas com declividade maior que 30% aumentaram em 74%, soando um alarme para políticas públicas em tempos de eventos climáticos extremos.

 

Roberto Xavier de Lima – Diretor de Planejamento e Inovação da Neotrópica Sustentabilidade Ambiental, Mestre em Conservação da Natureza, Biólogo e Escritor.

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